Tinha eu quinze anos, era magro e pálido, e já andava no seminário. Minha mãe fizera a promessa de me dar à Igreja, e eu me preparava para ser padre. Capitu, vizinha de muro e de coração, tinha apenas quatorze. Mas os seus olhos de ressaca, aqueles olhos de cigana oblíqua e dissimulada, já sabiam prender a minha atenção e guiar o meu destino de forma inevitável.
Naquele dia, escutei por trás da porta o diálogo que mudaria tudo. Alguém dizia à minha mãe: 'Dona Glória, o Bentinho precisa ir para o seminário. O prazo está vencendo, e a senhora não pode faltar com a sua palavra a Deus'. O seminário me pareceu então uma prisão fria e escura, longe do sol e de Capitu.
