Ó Ódios excelsos, ó Ódios sagrados, Do Sol e da Lua nos raios dourados, Ó Ódios divinos, ó Ódios eternos, De visões celestes e risos internos! Ó formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas! Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas, Incensos dos turíbulos das aras... Surgi, claridades, vagamente, Nas brumas da minh'alma dolorosa, Como uma flor puríssima e cheirosa Que desabrocha no deserto ardente. E que o vosso silêncio me console Das lutas tristes da matéria escura, E nesta taça de cristal me role A gota d'água da vossa ternura!
